Choro e Samba

O samba é, assim como o futebol e o carnaval, um dos símbolos nacionais mais fortes do Brasil. Mesmo que algumas pessoas torçam o nariz, quando um estrangeiro pensa no nosso país, o samba é uma das coisas que lhe vem à cabeça. Mas você sabia que o choro é ainda mais antigo e tão originalmente brasileiro quanto ele? E que ambos são representações características da música popular brasileira?

Se quiser aprender mais sobre estes dois gêneros de enorme valor para a cultura e a identidade nacional, acompanhe as próximas linhas.

Origens urbanas

O choro, também conhecido pelo diminutivo carinhoso ‘chorinho’, é considerado o primeiro estilo musical que surgiu nas cidades brasileiras em meados do século XIX. As suas raízes tem duas fontes completamente diferentes: o lundu, de influência africana baseado na percussão, e a modinha, tipicamente europeia.

O contexto abolicionista, a riqueza cultural que a vinda da família real trouxe ao Brasil Colônia, o crescimento das cidades conformaram o cenário perfeito para o nascimento do choro na cidade do Rio de Janeiro. Os primeiros grupos dedicados ao estilo remetem à 1870 e eram formados por funcionários públicos e membros da classe média baixa carioca, chamados de ‘chorões’.

Grandes músicos e compositores como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Pixinguinha consolidaram o gênero e eternizaram canções como “oh abre alas” e “tico tico no fubá”.

Já o samba resultou (e resulta) de misturas, mas a sua raiz africana é com certeza a marca predominante. Acredita-se que a origem deste gênero musical está ligada às celebrações e reuniões de ex-escravos que migraram da Bahia para o Rio de Janeiro logo após a abolição da escravidão, constituindo bairros conhecidos como “pequena África”.

Nestes locais, principalmente nas casas das ‘titias baianas’ – como eram conhecidas as descendentes de escravos, amigos e familiares reuniam-se para executar o “samba de roda”. Como na época (início do século XX) somente o choro era um estilo musical socialmente aceito, ele era tocado na frente das casas enquanto o samba surgia às escondidas nos quintais do fundo. Foi apenas em 1917 que o primeiro samba (“Pelo Telefone”) foi gravado em estúdios e popularizou-se.

Pixinguinha também foi um dos pais do samba, circulando pelo estilo atualmente chamado de samba-choro. Outros ícones clássicos do gênero são Noel Rosa, João da Baiana e Ismael Silva.

Características Musicais

Uma das marcas mais expressivas do chorinho é a improvisação. Além disso, o choro utiliza alguns elementos melódicos como cromatismo, apogiatura, notas dissonantes no tempo forte, padrões de notas repetidas e síncopes. Em termos rítmicos, citamos a métrica dupla e a síncope, entre outras. Já a harmonia é simples, com predominância de secundárias, acorde napolitano e inversão de acordes.

Os principais instrumentos para compor um chorinho são: flauta, violão, pandeiro, piano, clarinete, cavaquinho, bandolim, trombone e saxofone. Já no samba, apesar de as últimas décadas terem revelado composições com diversos instrumentos musicais heterodoxos, tradicionalmente os sambas contam com cavaquinho, violão, pandeiro, cuíca, prato, banjo, surdo, atabaque, chocalho, agogô e repique.

Tanto o samba quanto o choro são gêneros musicais bastante populares e incluem diversas vertentes e subdivisões. Afinal, desde o surgimento no Brasil imperial, ambas continuam sendo trabalhadas por artistas e músicos de todas as gerações, que transformam, inovam e reinventam os grandes clássicos.

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