Quem nunca ouviu alguém falar com certo ar de mistério e adoração sobre os violinos Stradivarius? Esses instrumentos musicais são famosos por sua qualidade musical, sonoridade lendária e também pelo elevado valor de mercado – que atinge milhões de dólares em leilões internacionais. Descubra o que existe por trás do mito do Stradivarius e porque as peças são tão famosas.

História da criação de uma lenda

São chamados de Stradivarius todos os violinos fabricados manualmente pelo italiano Antonio Stradivari nos séculos XVII e XVIII. O mestre artesão viveu 93 anos e estima-se que tenha produzido mais de mil unidades do instrumento.

Herdeiro das tradições de Cremona, região na Itália onde nasceu e viveu, Antonio Stradivari foi treinado por nomes ilustres da sua época e inovou em termos de modelo e estética dos instrumentos de corda. A chamada “era de ouro”, compreendida entre 1700 e 1722, desenvolveu as peças mais famosas, como “Viotti”, “Alard” e “Messias”.

Atualmente, entre 500 e 600 violinos Stradivarius continuam em circulação e muitas teorias foram desenvolvidas para explicar o som extraordinário que fez deles uma lenda. A de Joseph Nagyvary, por exemplo, publicada na revista “Nature” em 2006, aponta que a qualidade inigualável do som é uma consequência do tratamento realizado com agentes químicos agressivos para proteger a madeira de larvas e pragas.

Outras teorias afirmam que os violinos utilizavam um verniz especial (e secreto) ou que um período de invernos rigorosos na região do vale de Fiemme fez que com as madeiras das árvores ficassem mais compactas, resultando em uma matéria-prima de corpo mais sólido utilizada na construção dos violinos Stradivarius.

Fato ou mito: a qualidade sonora do Stradivarius é mesmo superior?

Milhares de réplicas do Stradivarius vêm sendo produzidas nas últimas décadas com o intuito de recriar as condições para a emissão da espetacular sonoridade desses instrumentos. Ao mesmo tempo, com o avanço tecnológico, músicos e cientistas têm desenvolvido pesquisas para entender o que diferencia os Stradivarius dos demais violinos, e se a famosa qualidade sonora é mesmo um fato ou apenas um mito.

Dois estudos publicados na revista científica estadunidense “Proceedings of National Academy of Science” em 2014 e em 2017 defendem que não há diferença na qualidade do som dos melhores violinos modernos e dos Stradivarius. Durante testes realizados às cegas com músicos de renome internacional, os profissionais não foram capazes de identificar o som do Stradivarius em meio a outros violinos e, ainda, muitos deles consideraram a qualidade dos instrumentos modernos superior aos antigos (sem saber quais modelos estavam utilizando).

A pesquisa, no entanto, gera polêmicas e não é consensual. Músicos experientes seguem céticos e afirmam que há diversos fatores, como o tempo de prática entre o intérprete e o equipamento, que não foram considerados nestas pesquisas – e, por isso, continuam com a certeza de que o Stradivarius é superior a qualquer outro modelo já produzido.

Apesar das conclusões das pesquisas recentes, o mistério que envolve os violinos de Antonio Stradivari continua (e continuará) a intrigar músicos e pesquisadores. O mito resiste há mais de 400 anos e a sonoridade desses instrumentos continua encantando o coração e os ouvidos de fãs em todo o mundo.