{"id":5207,"date":"2022-06-13T07:42:40","date_gmt":"2022-06-13T10:42:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/?p=5207"},"modified":"2026-08-21T17:17:21","modified_gmt":"2026-08-21T20:17:21","slug":"tupi-guarani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/tupi-guarani\/","title":{"rendered":"Tupi-Guarani: origem, l\u00ednguas e o som que formou a cultura brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tupi-guarani \u00e9 um ramo lingu\u00edstico da fam\u00edlia tupi, n\u00e3o uma etnia: re\u00fane l\u00ednguas aparentadas faladas por povos distintos na Am\u00e9rica do Sul, entre eles guarani e tupinamb\u00e1. O portugu\u00eas brasileiro herdou dessas l\u00ednguas palavras como pipoca, jacar\u00e9 e Ipanema. A heran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 sonora, com o marac\u00e1 e o canto coletivo entre seus elementos centrais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tupi-guarani<\/strong> nomeia um conjunto de l\u00ednguas aparentadas, n\u00e3o um grupo \u00e9tnico \u00fanico. <strong>Guarani<\/strong>, <strong>tupinamb\u00e1<\/strong> e dezenas de outros povos falam ou falaram l\u00ednguas desse ramo, com territ\u00f3rios, hist\u00f3rias e repert\u00f3rios pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vocabul\u00e1rio \u00e9 a face mais vis\u00edvel dessa heran\u00e7a. <strong>Pipoca<\/strong>, jacar\u00e9, mandioca, perereca e Ipanema vieram dessas l\u00ednguas para o portugu\u00eas brasileiro e circulam hoje sem que a origem apare\u00e7a para quem as usa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A face sonora \u00e9 menos conhecida. O <strong>marac\u00e1<\/strong>, chocalho de caba\u00e7a com sementes, o <strong>canto coletivo<\/strong> e as flautas de bambu, osso e cer\u00e2mica aparecem associados a rituais, cerim\u00f4nias e narrativas, e n\u00e3o \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica no sentido europeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre o autor.<\/strong> Marcio Miranda Pontes \u00e9 maestro formado pela UFMG, com 35 anos de trajet\u00f3ria no Pal\u00e1cio das Artes, onde foi diretor de ensino, e especialista em musicologia hist\u00f3rica brasileira. Fundador e diretor da SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica de educa\u00e7\u00e3o musical gratuita.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 tupi-guarani (e o erro que quase todo texto comete)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O erro de partida \u00e9 tratar tupi-guarani como se fosse um povo. N\u00e3o \u00e9. Tupi-guarani \u00e9 um agrupamento de l\u00ednguas aparentadas, que compartilham origem comum reconstru\u00edda pela lingu\u00edstica comparada, do mesmo modo que portugu\u00eas, espanhol e italiano compartilham o latim. Falar em &#8220;os tupi-guarani&#8221; como grupo humano \u00fanico apaga a diversidade de povos que falam essas l\u00ednguas, cada um com territ\u00f3rio, hist\u00f3ria e repert\u00f3rio musical pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fam\u00edlia lingu\u00edstica, l\u00edngua e povo: a diferen\u00e7a que muda tudo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas conceitos precisam ficar separados. Fam\u00edlia lingu\u00edstica \u00e9 uma categoria de parentesco entre l\u00ednguas. L\u00edngua \u00e9 o sistema falado por uma comunidade determinada. Povo \u00e9 o grupo humano, com organiza\u00e7\u00e3o social, territ\u00f3rio e identidade pr\u00f3prios. Uma fam\u00edlia agrupa l\u00ednguas, n\u00e3o sangue nem territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tupi-guarani tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de &#8220;ind\u00edgena brasileiro&#8221;: \u00e9 uma fam\u00edlia entre v\u00e1rias, e as l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras se distribuem por outros agrupamentos, sem parentesco com este.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que n\u00e3o existe um &#8220;povo tupi-guarani&#8221; \u00fanico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratar tupi-guarani como unidade social junta dois problemas. O primeiro \u00e9 conceitual: transforma classifica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica em grupo humano, o que n\u00e3o corresponde a nada existente. O segundo \u00e9 de vocabul\u00e1rio: o repert\u00f3rio colonial deixou termos que carregam hierarquia embutida, tanto quanto rebaixar l\u00ednguas plenas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de variedades menores. A categoria correta \u00e9 povo, e o melhor caminho \u00e9 nomear o povo espec\u00edfico, como Guarani Mbya ou Guajajara.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origem e dispers\u00e3o dos povos de l\u00edngua tupi-guarani<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lingu\u00edstica hist\u00f3rica trabalha com a hip\u00f3tese de que essas l\u00ednguas se dispersaram a partir do interior do continente sul-americano, alcan\u00e7ando o litoral atl\u00e2ntico e regi\u00f5es hoje pertencentes a pa\u00edses vizinhos. O que interessa \u00e9 o formato do fen\u00f4meno: n\u00e3o uma migra\u00e7\u00e3o \u00fanica, mas ramifica\u00e7\u00f5es sucessivas que produziram l\u00ednguas irm\u00e3s, muitas vezes mutuamente inintelig\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O tupi antigo e a l\u00edngua bras\u00edlica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tupi antigo \u00e9 a l\u00edngua falada em boa parte da costa brasileira nos primeiros s\u00e9culos da coloniza\u00e7\u00e3o. Os portugueses a chamaram de &#8220;l\u00edngua bras\u00edlica&#8221;, e ela funcionou por muito tempo como meio de comunica\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00f5es de origens diferentes. \u00c9 desse tronco que vem a maior parte do l\u00e9xico de origem ind\u00edgena presente no portugu\u00eas brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Das l\u00ednguas gerais ao nheengatu<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do tupi antigo derivaram as chamadas l\u00ednguas gerais, que circularam como l\u00edngua franca em amplas por\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio. A mais conhecida delas \u00e9 o nheengatu, que continua sendo falado. Confundir nheengatu com tupi antigo \u00e9 o equ\u00edvoco mais frequente em textos de divulga\u00e7\u00e3o: um deriva do outro, com s\u00e9culos de transforma\u00e7\u00e3o entre os dois, e o nheengatu \u00e9 l\u00edngua do presente, n\u00e3o pe\u00e7a de museu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as l\u00ednguas tupi-guarani faladas hoje<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fam\u00edlia est\u00e1 viva. H\u00e1 l\u00ednguas dessa fam\u00edlia em uso corrente, em contextos rurais e urbanos, na fala cotidiana, no ritual e no canto. O quadro abaixo nomeia alguns povos e l\u00ednguas, sem pretens\u00e3o de listagem completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Povo<\/th><th>L\u00edngua<\/th><th>Regi\u00e3o de refer\u00eancia<\/th><th>Tra\u00e7o sonoro associado<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Guarani Mbya<\/td><td>guarani mbya<\/td><td>Mata Atl\u00e2ntica, do Sul ao Sudeste<\/td><td>canto coletivo comunit\u00e1rio, com chocalho<\/td><\/tr><tr><td>Guarani Kaiow\u00e1<\/td><td>guarani kaiow\u00e1<\/td><td>Centro-Oeste<\/td><td>canto com percuss\u00e3o corporal e chocalho<\/td><\/tr><tr><td>Guarani \u00d1andeva<\/td><td>guarani \u00f1andeva<\/td><td>Sul e Centro-Oeste<\/td><td>repert\u00f3rio de canto coletivo<\/td><\/tr><tr><td>Guajajara<\/td><td>guajajara<\/td><td>Maranh\u00e3o<\/td><td>canto e instrumentos de sopro e de agita\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que este artigo n\u00e3o traz estat\u00edstica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de n\u00fameros aqui \u00e9 deliberada. A SABRA \u00e9 institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o musical e de musicologia hist\u00f3rica brasileira, e n\u00e3o produz levantamento demogr\u00e1fico sobre povos de l\u00edngua tupi-guarani. Publicar contagem que n\u00e3o apuramos seria transformar em afirma\u00e7\u00e3o institucional algo que n\u00e3o podemos sustentar. Frase sem n\u00famero \u00e9 prefer\u00edvel a n\u00famero sem lastro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A heran\u00e7a tupi-guarani no portugu\u00eas brasileiro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O empr\u00e9stimo lingu\u00edstico do tupi para o portugu\u00eas est\u00e1 no vocabul\u00e1rio mais corriqueiro do pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 curiosidade erudita: \u00e9 a l\u00edngua que se fala no \u00f4nibus, na cozinha e no notici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Palavra<\/th><th>Campo sem\u00e2ntico<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>jacar\u00e9, piranha, jararaca, sabi\u00e1<\/td><td>fauna<\/td><\/tr><tr><td>caju, pitanga, abacaxi, mandioca<\/td><td>flora e alimenta\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>pipoca, mingau<\/td><td>culin\u00e1ria cotidiana<\/td><\/tr><tr><td>capim, capoeira<\/td><td>paisagem e vegeta\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>Iara, Curupira<\/td><td>narrativa popular<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Top\u00f4nimos: o mapa do Brasil em tupi<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O top\u00f4nimo \u00e9 a evid\u00eancia mais vis\u00edvel dessa camada. Copacabana, Ipanema, Ita\u00fana e Arax\u00e1 descrevem, na l\u00edngua de origem, caracter\u00edsticas do s\u00edtio geogr\u00e1fico. Ler um mapa do Brasil \u00e9 ler um documento lingu\u00edstico. Quem circula por Betim, Contagem ou Raposos passa diariamente por nomes vindos dessa matriz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O som tupi-guarani: cantos, chocalhos e sopros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a parte que quase nenhum texto cobre, e aquela de que uma escola de m\u00fasica fala com compet\u00eancia de of\u00edcio. Nas culturas de l\u00edngua tupi-guarani, o som n\u00e3o \u00e9 ornamento: cantar, chocalhar e soprar s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es que organizam o tempo, marcam ciclos e formam pessoas. A paisagem sonora dessas culturas \u00e9 estruturante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um dado cosmol\u00f3gico por tr\u00e1s disso. Nessas cosmologias, a palavra tem estatuto de alma, o ayvu, e o sopro criador atribu\u00eddo a Nhanderu est\u00e1 no centro das narrativas de origem. Existir e ressoar n\u00e3o s\u00e3o coisas separadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O mbarak\u00e1 \u00e9 mais do que um chocalho<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos de organologia, o mbarak\u00e1, tamb\u00e9m grafado marac\u00e1, \u00e9 um idiofone de agita\u00e7\u00e3o: chocalho de caba\u00e7a com sementes no interior, cabo de madeira e, com frequ\u00eancia, plumas. O som vem do choque das sementes contra a parede interna do fruto seco, com envelope curto, o que o torna eficiente para marcar pulso em canto coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descrever s\u00f3 o instrumento, por\u00e9m, \u00e9 ficar na metade. Entre os povos de l\u00edngua tupi-guarani, o mbarak\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas um chocalho: \u00e9 instrumento sonoro, signo de autoridade e meio de media\u00e7\u00e3o ritual. Quem o segura conduz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mborai: o canto que n\u00e3o \u00e9 apresenta\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mborai \u00e9 o termo que designa o canto nesse universo, entoado em contexto ritual, na opy, a casa de reza, e em roda coletiva no p\u00e1tio da aldeia. A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que se costuma chamar de m\u00fasica \u00e9 de fun\u00e7\u00e3o: o canto ritual n\u00e3o existe para ser assistido, existe para operar algo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cham\u00e1-lo de m\u00fasica &#8220;primitiva&#8221; \u00e9 erro t\u00e9cnico antes de ser erro \u00e9tico. \u00c9 sistema sonoro complexo, com repert\u00f3rio tradicional extenso e aprendizado longo. Grupos de canto guarani circulam hoje em espa\u00e7os p\u00fablicos e em grava\u00e7\u00f5es, com repert\u00f3rio vivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sopros: a flauta como voz<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aerofones ocupam lugar central nessas culturas. A flauta ind\u00edgena, em constru\u00e7\u00f5es variadas, e os instrumentos que a organologia classifica como trompetes naturais formam uma fam\u00edlia sonora pr\u00f3pria, em que a coluna de ar \u00e9 tratada como extens\u00e3o da voz. Para quem estuda instrumento sinf\u00f4nico, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata: respira\u00e7\u00e3o, apoio e afina\u00e7\u00e3o s\u00e3o a mesma quest\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cantos das crian\u00e7as: como a m\u00fasica passa de uma gera\u00e7\u00e3o a outra<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 repert\u00f3rio pr\u00f3prio da inf\u00e2ncia nessas culturas: acalantos, cantos de brincar, f\u00f3rmulas curtas que a crian\u00e7a aprende por conviv\u00eancia muito antes de compreender o que canta. \u00c9 o mecanismo mais eficiente de continuidade cultural, e funciona sem sala de aula e sem partitura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como se guarda uma m\u00fasica que ningu\u00e9m escreveu<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a pergunta que a SABRA pode responder: \u00e9 o problema central do of\u00edcio de quem ensina m\u00fasica e cuida de acervo musical.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transmiss\u00e3o oral e transcri\u00e7\u00e3o: duas maneiras de manter repert\u00f3rio vivo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SABRA ensina leitura de partitura, teoria musical e instrumento sinf\u00f4nico. Por isso sabe, na pr\u00e1tica, o que a escrita musical resolve e o que ela n\u00e3o resolve. A partitura fixa altura e dura\u00e7\u00e3o e permite que um repert\u00f3rio atravesse s\u00e9culos sem ningu\u00e9m para cant\u00e1-lo. Em troca, perde o que n\u00e3o cabe no papel: inflex\u00e3o, timbre, o modo exato de atacar uma nota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transmiss\u00e3o oral faz o caminho inverso. Guarda o gesto inteiro e cobra o pre\u00e7o de exigir continuidade humana ininterrupta. H\u00e1 repert\u00f3rios que sobrevivem porque foram escritos e repert\u00f3rios que sobrevivem porque continuam sendo cantados; a heran\u00e7a sonora tupi-guarani pertence ao segundo grupo. N\u00e3o h\u00e1 hierarquia entre as duas pedagogias, e um pa\u00eds que reconhece s\u00f3 uma delas fica cego para metade da pr\u00f3pria mem\u00f3ria sonora brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que o acervo da SABRA ensina sobre mem\u00f3ria sonora<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acervo de musicologia hist\u00f3rica brasileira mantido pela SABRA re\u00fane manuscrito musical do s\u00e9culo XVIII em partitura digitalizada e transcri\u00e7\u00e3o musical, boa parte ligada \u00e0 m\u00fasica colonial mineira. Esse material chegou at\u00e9 aqui porque algu\u00e9m escreveu, algu\u00e9m guardou e algu\u00e9m transcreveu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A li\u00e7\u00e3o vale para o tema deste artigo: patrim\u00f4nio sonoro \u00e9 fr\u00e1gil e depende de manuten\u00e7\u00e3o ativa. No manuscrito, essa manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnica e arquiv\u00edstica. Num repert\u00f3rio de transmiss\u00e3o oral, \u00e9 a pr\u00f3pria vida comunit\u00e1ria, e ela n\u00e3o pode ser terceirizada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Narrativas, arte e corpo: Iara, Curupira e a pintura corporal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iara e Curupira chegaram ao imagin\u00e1rio nacional por essa matriz e seguem reelaborados pela narrativa popular brasileira, em livro, em can\u00e7\u00e3o e em audiovisual. S\u00e3o formas vivas de contar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dimens\u00e3o visual acompanha a sonora. A pintura corporal feita com urucum e jenipapo e a arte plum\u00e1ria comp\u00f5em sistemas gr\u00e1ficos com significado, que informam pertencimento e contexto. Corpo pintado, canto e chocalho costumam operar juntos, no mesmo evento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que chamar de &#8220;folclore&#8221; empobrece o tema<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra folclore empurra tudo para o passado e para o pitoresco. Sugere res\u00edduo de um tempo anterior, quando se trata de produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica contempor\u00e2nea. Povos de l\u00edngua tupi-guarani existem hoje, e escrever sobre eles no passado \u00e9 erro factual, n\u00e3o estilo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tupi-guarani em sala de aula: o que a experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o de professores mostra<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na origem do projeto, a SABRA formou cerca de 300 professoras da rede p\u00fablica de Betim em educa\u00e7\u00e3o musical. Essa experi\u00eancia mostrou algo consistente: a maior dificuldade do professor n\u00e3o \u00e9 falta de interesse, \u00e9 falta de material que n\u00e3o force o erro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Erros frequentes no material did\u00e1tico e como entrar no tema pelo som<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os deslizes se repetem. O texto trata tupi-guarani como povo \u00fanico, usa verbo no pret\u00e9rito para quem est\u00e1 vivo, confunde tupi antigo com nheengatu, reduz narrativas a lendas e ilustra tudo com imagem gen\u00e9rica de povo n\u00e3o identificado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho mais seguro de entrada \u00e9 o som. A escuta n\u00e3o exige que a crian\u00e7a memorize classifica\u00e7\u00e3o nenhuma para perceber diferen\u00e7a, e falar de instrumento e de fun\u00e7\u00e3o do canto obriga a nomear povo espec\u00edfico, o que j\u00e1 corrige o erro de partida. Trabalhar oralidade e escuta \u00e9, al\u00e9m disso, forma\u00e7\u00e3o de plateia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aviso de escopo: a SABRA n\u00e3o ensina instrumentos nem repert\u00f3rio ind\u00edgena. O ensino da casa \u00e9 violino, viola, violoncelo, flauta transversal, obo\u00e9, fagote e trombone. O que a institui\u00e7\u00e3o oferece a este tema \u00e9 compet\u00eancia de organologia, de canto, de transmiss\u00e3o e de transcri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem preserva a m\u00fasica brasileira precisa de quem sustente esse trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, mant\u00e9m acervo de musicologia hist\u00f3rica brasileira, oferece educa\u00e7\u00e3o musical gratuita em Betim, Contagem e Raposos e \u00e9 dirigida pelo maestro e music\u00f3logo Marcio Miranda Pontes. S\u00e3o cerca de 13 anos de atua\u00e7\u00e3o, mais de 2.000 alunos de 7 a 18 anos ou mais, forma\u00e7\u00e3o de cerca de 300 professoras da rede p\u00fablica de Betim e ex-alunos hoje em orquestras brasileiras e em doutorado no exterior.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, \u00e9 institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica de educa\u00e7\u00e3o musical. Aulas, materiais e apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas s\u00e3o gratuitos por obriga\u00e7\u00e3o contratual com o Minist\u00e9rio da Cultura e com os patrocinadores. O ingresso de novos alunos acontece por edital peri\u00f3dico. A presta\u00e7\u00e3o de contas dos projetos incentivados \u00e9 p\u00fablica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a empresa, existe um mecanismo pouco conhecido. Companhias que apuram pelo lucro real podem destinar parte do imposto devido ao patroc\u00ednio cultural de projeto incentivado aprovado pela Lei Rouanet, e \u00e9 por esse mecanismo que a pr\u00f3pria SABRA se mant\u00e9m. O percentual aplic\u00e1vel e o prazo de destina\u00e7\u00e3o devem ser verificados com o setor cont\u00e1bil da empresa e com a equipe da institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 doa\u00e7\u00e3o por como\u00e7\u00e3o, e sim decis\u00e3o t\u00e9cnica sobre recurso que j\u00e1 seria recolhido, com contrapartida de visibilidade de marca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tupi-guarani \u00e9 matriz viva da cultura brasileira, em tr\u00eas camadas: lingu\u00edstica, no vocabul\u00e1rio e nos top\u00f4nimos que o pa\u00eds usa sem perceber; simb\u00f3lica, nas narrativas que continuam sendo recontadas; e sonora, no canto, no mbarak\u00e1 e nos sopros. Quem chegou perguntando o que \u00e9 tupi-guarani sai com tr\u00eas corre\u00e7\u00f5es: \u00e9 fam\u00edlia lingu\u00edstica e n\u00e3o etnia, o tupi antigo desdobrou-se em l\u00ednguas gerais e no nheengatu, e essas l\u00ednguas seguem sendo faladas e cantadas no presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A heran\u00e7a sonora do Brasil s\u00f3 continua aud\u00edvel enquanto houver quem a estude, transcreva e ensine. <a href=\"https:\/\/www.sabra.org.br\/\">Conhe\u00e7a como apoiar a SABRA<\/a> ou fale com a institui\u00e7\u00e3o sobre patroc\u00ednio incentivado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tupi-guarani \u00e9 uma l\u00edngua, um povo ou uma fam\u00edlia lingu\u00edstica?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma fam\u00edlia lingu\u00edstica. Re\u00fane l\u00ednguas aparentadas, faladas por povos distintos na Am\u00e9rica do Sul, cada um com territ\u00f3rio e repert\u00f3rio pr\u00f3prios. N\u00e3o existe uma l\u00edngua \u00fanica chamada tupi-guarani que se possa aprender como bloco.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual a diferen\u00e7a entre tupi antigo, l\u00edngua geral e nheengatu?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tupi antigo \u00e9 a l\u00edngua falada em boa parte da costa brasileira nos primeiros s\u00e9culos da coloniza\u00e7\u00e3o, chamada pelos portugueses de l\u00edngua bras\u00edlica. Dele derivaram as l\u00ednguas gerais, usadas como l\u00edngua franca em amplas regi\u00f5es. O nheengatu \u00e9 a mais conhecida delas e continua sendo falado hoje.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ainda se fala tupi-guarani no Brasil hoje?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. H\u00e1 l\u00ednguas dessa fam\u00edlia em uso corrente, em contextos rurais e urbanos, na fala cotidiana e no canto. Este artigo n\u00e3o publica contagem de falantes, de povos ou de l\u00ednguas porque a SABRA n\u00e3o apura esse levantamento por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os principais instrumentos musicais dos povos de l\u00edngua tupi-guarani?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mbarak\u00e1, ou marac\u00e1, \u00e9 o mais conhecido: chocalho de caba\u00e7a com sementes e cabo de madeira, que funciona ao mesmo tempo como instrumento e como signo de condu\u00e7\u00e3o ritual. Ao lado dele est\u00e3o os aerofones (flautas e trompetes naturais), tambores, palmas, percuss\u00e3o corporal e a voz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O portugu\u00eas brasileiro tem palavras de origem tupi-guarani?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem, e no vocabul\u00e1rio mais cotidiano. Pipoca, abacaxi, caju, pitanga, jacar\u00e9, piranha, jararaca e sabi\u00e1 s\u00e3o exemplos correntes, assim como os top\u00f4nimos Copacabana, Ipanema, Ita\u00fana e Arax\u00e1. Este artigo n\u00e3o estima quantos voc\u00e1bulos foram herdados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como uma m\u00fasica se preserva sem partitura?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por transmiss\u00e3o oral: conviv\u00eancia, repeti\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria coletiva, com a crian\u00e7a aprendendo o repert\u00f3rio muito antes de compreend\u00ea-lo por inteiro. \u00c9 um sistema que guarda o que a escrita perde, como timbre e inflex\u00e3o, e que depende de continuidade humana ininterrupta. Se uma gera\u00e7\u00e3o deixa de cantar, n\u00e3o h\u00e1 arquivo esperando para repor o que se perdeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que tupi-guarani n\u00e3o \u00e9 relativo a uma na\u00e7\u00e3o ind\u00edgena espec\u00edfica? Nesse artigo apresentaremos 3 curiosidades sobre a cultura tupi-guarani para entender melhor a import\u00e2ncia desses povos em nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":5208,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_customify_content_layout":"","_customify_sidebar":"","_customify_page_header_display":"default","_customify_disable_header":"","_customify_disable_header_top":"","_customify_disable_header_main":"","_customify_disable_header_bottom":"","_customify_disable_page_title":"","_customify_disable_content_vertical_padding":"","_customify_disable_footer_top":"","_customify_disable_footer_main":"","_customify_disable_footer_bottom":"","_customify_breadcrumb_display":"","_customify_header_transparent_display":"","_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[15,2757,3626,3623,8,3629,1285,3628,16,3519,1286,11,3622,9],"class_list":["post-5207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog-sabra","tag-assistencia-social","tag-belo-horizonte","tag-cabo-frio","tag-campos-dos-goytacazes","tag-canto-coral","tag-contagem","tag-escola-de-musica-sabra","tag-ibirite","tag-musicalizacao-infantil","tag-nova-lima-2","tag-orquestra-infanto-juvenil-de-betim","tag-orquestra-sinfonica-de-betim","tag-raposos","tag-sociedade-artistica-brasileira"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p95j2Z-1lZ","jetpack-related-posts":[{"id":5272,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/trava-linguas\/","url_meta":{"origin":5207,"position":0},"title":"Trava-l\u00ednguas do folclore brasileiro","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"23 de junho de 2022","format":false,"excerpt":"Voc\u00ea sabe o que \u00e9 um trava-l\u00ednguas? J\u00e1 brincou de participar de algum desafio? Nesse post contamos o que \u00e9 o trava-l\u00ednguas e trazemos alguns mais conhecidos do folclore brasileiro! Leia para conhecer!","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"trava-l\u00ednguas-doce-quadro-tempo","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/trava-linguas-do-folclore-brasileiro-20220303163651.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/trava-linguas-do-folclore-brasileiro-20220303163651.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/trava-linguas-do-folclore-brasileiro-20220303163651.jpg.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/trava-linguas-do-folclore-brasileiro-20220303163651.jpg.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":4119,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/cultura-indigena\/","url_meta":{"origin":5207,"position":1},"title":"A influ\u00eancia da cultura ind\u00edgena na sociedade brasileira","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"19 de agosto de 2021","format":false,"excerpt":"A influ\u00eancia da cultura ind\u00edgena na sociedade brasileira Deseja conhecer mais sobre a influ\u00eancia da cultura ind\u00edgena na sociedade brasileira? Pois ent\u00e3o acompanhe este artigo e conhe\u00e7a algumas dessas principais influ\u00eancias para entender a import\u00e2ncia dessa cultura para todos os brasileiros. Patroci\u0301nio m\u00e1ster: @institutounimedbh, viabilizado pelo incentivo de mais de\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"cultura-ind\u00edgena-sociedade-brasileira","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/a-influencia-da-cultura-indigena-na-sociedade-brasileira-20210723092324.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/a-influencia-da-cultura-indigena-na-sociedade-brasileira-20210723092324.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/a-influencia-da-cultura-indigena-na-sociedade-brasileira-20210723092324.jpg.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/a-influencia-da-cultura-indigena-na-sociedade-brasileira-20210723092324.jpg.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":12450,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/textos-fundamentais-12\/","url_meta":{"origin":5207,"position":2},"title":"Textos fundamentais 12","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"18 de abril de 2025","format":false,"excerpt":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/portugal-cultura\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/tupi-guarani\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/musico-orquestra\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/poema-brasileiro\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/mezzo-soprano\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/festa-junina\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/carnaval-origens\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/chiquinha-gonzaga\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/tropicalismo\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/personalidades-mg\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/israel-2022\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/programa-19-05-2022\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/musica-brasileira\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/orquestra-sinfonica\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/desigualdade-cultura\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/harpa-2\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/trombone\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/grupo-musical\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/soprano\/ https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/haydn\/ \u00a0 \u00a0","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1476,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/historia-educacao-musical-brasileira\/","url_meta":{"origin":5207,"position":3},"title":"A hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o musical brasileira","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"6 de setembro de 2018","format":false,"excerpt":"A hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o musical brasileira esbarra no pr\u00f3prio descobrimento do pa\u00eds. Pois, quando aportaram em nossas praias, os portugueses trouxeram consigo os jesu\u00edtas. Esses, por sua vez, utilizaram das pr\u00e1ticas musicais europeias a fim de converter os \u00edndios. Para tanto, as can\u00e7\u00f5es e hinos cat\u00f3licos eram traduzidos para o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"Educa\u00e7\u00e3o Musical","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/a-historia-da-educacao-musical-brasileira-20180702161300.jpg.jpg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]},{"id":6954,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/escritores-indigenas\/","url_meta":{"origin":5207,"position":4},"title":"3 escritores ind\u00edgenas que voc\u00ea precisa conhecer","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"19 de abril de 2023","format":false,"excerpt":"Ler as obras de escritores ind\u00edgenas \u00e9 uma forma de ampliar seus conhecimentos e adquirir uma vis\u00e3o cr\u00edtica a respeito de fatos brasileiros. Pensando nisso, preparamos um conte\u00fado para mostrar tr\u00eas escritores ind\u00edgenas que voc\u00ea pode ler. Aproveite!","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"ind\u00edgena-obra-brasileira-cultura-escritor-autor-conhecimento-sociais","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/x-escritores-indigenas-que-voce-precisa-conhecer-20221124141249.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/x-escritores-indigenas-que-voce-precisa-conhecer-20221124141249.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/x-escritores-indigenas-que-voce-precisa-conhecer-20221124141249.jpg.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x"},"classes":[]},{"id":3692,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/criancas\/","url_meta":{"origin":5207,"position":5},"title":"Entenda como a m\u00fasica melhora o desenvolvimento das crian\u00e7as","author":"M\u00e1rcio Miranda Pontes","date":"18 de fevereiro de 2021","format":false,"excerpt":"Escola de Musica SABRA, Orquestra Sinf\u00f4nica de Betim, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, Musicaliza\u00e7\u00e3o Infantil, Assistencia Social, Canto Coral, Orquestra Infanto Juvenil de Betim, Nova Lima","rel":"","context":"Em &quot;Blog SABRA&quot;","block_context":{"text":"Blog SABRA","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/category\/blog-sabra\/"},"img":{"alt_text":"crian\u00e7as","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/entenda-como-a-musica-melhora-o-desenvolvimento-das-criancas-20210203092956.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/entenda-como-a-musica-melhora-o-desenvolvimento-das-criancas-20210203092956.jpg.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/entenda-como-a-musica-melhora-o-desenvolvimento-das-criancas-20210203092956.jpg.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/entenda-como-a-musica-melhora-o-desenvolvimento-das-criancas-20210203092956.jpg.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]}],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/x-curiosidades-sobre-a-cultura-tupi-guarani-20220303163651.jpg.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16347,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5207\/revisions\/16347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}