{"id":5491,"date":"2022-08-04T08:28:30","date_gmt":"2022-08-04T11:28:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/?p=5491"},"modified":"2026-08-24T09:59:39","modified_gmt":"2026-08-24T12:59:39","slug":"rhythm-and-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/rhythm-and-blues\/","title":{"rendered":"Rhythm and Blues: Origem, Caracter\u00edsticas e Influ\u00eancia na M\u00fasica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rhythm and blues (R&amp;B) \u00e9 um g\u00eanero da m\u00fasica popular afro-americana surgido nos Estados Unidos no p\u00f3s-Segunda Guerra, da fus\u00e3o de blues, jump blues, jazz, swing, gospel e boogie-woogie. A assinatura sonora combina compasso quatern\u00e1rio com backbeat, acento nos tempos 2 e 4, vocais de matriz gospel e naipe de sopros. O termo foi adotado pela Billboard em 1949.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome nasceu dentro da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. Em 1949, a revista <strong>Billboard<\/strong> passou a chamar de <strong>rhythm and blues<\/strong> a parada que at\u00e9 ent\u00e3o anunciava como <strong>race records<\/strong>, designa\u00e7\u00e3o racial aplicada \u00e0 m\u00fasica gravada por artistas negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>backbeat<\/strong> \u00e9 o tra\u00e7o r\u00edtmico mais reconhec\u00edvel do g\u00eanero. Dentro do compasso quatern\u00e1rio, a caixa acentua os tempos 2 e 4 e inverte a hierarquia da tradi\u00e7\u00e3o europeia, que pesa em 1 e 3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do rhythm and blues derivam <strong>soul<\/strong>, <strong>funk<\/strong> e, mais tarde, o <strong>hip hop<\/strong>. O uso corrente do termo em portugu\u00eas costuma designar o R&amp;B contempor\u00e2neo das paradas, ramo posterior aos anos 1980, e n\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 rhythm and blues<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues \u00e9 uma das express\u00f5es centrais da m\u00fasica popular afro-americana e ocupa posi\u00e7\u00e3o incomum: \u00e9 ao mesmo tempo g\u00eanero musical e r\u00f3tulo de mercado. Antes de designar uma est\u00e9tica reconhec\u00edvel, R&amp;B foi categoria comercial da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso explica por que o r\u00f3tulo mudou tantas vezes de sentido: o mesmo campo virou soul, depois guarda-chuva de soul, funk e disco, e chegou ao R&amp;B contempor\u00e2neo das r\u00e1dios de hoje. \u00c9 m\u00fasica negra urbana, filha do \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o negra do Sul para os grandes centros, e \u00e9 a matriz de onde sa\u00edram rock and roll, soul, doo-wop e funk, e por heran\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o, boa parte do pop e do hip hop.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">R&amp;B e &#8220;black music&#8221;: o que cada termo significa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rhythm and blues n\u00e3o \u00e9 o mesmo que black music. Black music \u00e9 um campo amplo, que abriga blues, jazz, gospel, soul, funk, disco, hip hop e o pr\u00f3prio R&amp;B. Rhythm and blues \u00e9 um g\u00eanero dentro desse campo, com marcadores musicais definidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O R&amp;B tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 blues: o blues \u00e9 matriz, e o rhythm and blues \u00e9 urbano, el\u00e9trico, dan\u00e7ante, tocado por conjunto com se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica completa e sopros. E n\u00e3o \u00e9 soul. O soul \u00e9 desdobramento dele, com carga gospel expl\u00edcita e a voz no centro do arranjo: todo soul vem do R&amp;B, mas nem todo R&amp;B \u00e9 soul. Por fim, o rhythm and blues n\u00e3o \u00e9 g\u00eanero brasileiro. Aqui ele chega como influ\u00eancia e \u00e9 reelaborado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A origem do rhythm and blues: os Estados Unidos do p\u00f3s-guerra<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues surgiu nas cidades norte-americanas que receberam a popula\u00e7\u00e3o negra vinda do Sul rural. N\u00e3o \u00e9 m\u00fasica de zona rural, e sim de cidade grande, r\u00e1dio ligada e casa de dan\u00e7a cheia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A migra\u00e7\u00e3o e o nascimento de uma m\u00fasica urbana negra<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00eaxodo migrat\u00f3rio para os centros urbanos mudou a condi\u00e7\u00e3o material da m\u00fasica negra. Onde antes bastavam a voz e um instrumento ac\u00fastico, passou a haver amplifica\u00e7\u00e3o, banda com contrabaixo e bateria, palco pequeno e plateia que pagava para dan\u00e7ar. Da\u00ed v\u00eam a guitarra el\u00e9trica, o \u00f3rg\u00e3o el\u00e9trico, a se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica completa e os sopros, necess\u00e1rios para sustentar a m\u00fasica em ambiente barulhento. A segrega\u00e7\u00e3o racial \u00e9 parte do quadro: era m\u00fasica de artistas negros, para plateias negras, em circuitos separados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">De um r\u00f3tulo racista a &#8220;rhythm and blues&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica classificava a produ\u00e7\u00e3o de artistas negros sob uma etiqueta que carregava a palavra ra\u00e7a, a chamada &#8220;race music&#8221;. Era designa\u00e7\u00e3o racista e funcionava como tal: separava cat\u00e1logo, distribui\u00e7\u00e3o e p\u00fablico. No p\u00f3s-guerra, o setor a substituiu por &#8220;rhythm and blues&#8221;, nome que descreve m\u00fasica e n\u00e3o pele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A troca n\u00e3o foi cosm\u00e9tica. Classificado por ritmo em vez de ra\u00e7a, o repert\u00f3rio ficou apto a circular fora do circuito segregado, chegando a lojas, r\u00e1dios e plateias que a etiqueta anterior mantinha \u00e0 dist\u00e2ncia. A hist\u00f3ria do nome n\u00e3o \u00e9 anedota de bastidor: \u00e9 a hist\u00f3ria de como essa m\u00fasica atravessou uma barreira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Selos independentes e r\u00e1dio segmentada<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues cresceu por fora das grandes estruturas: selo independente gravava o artista que o mercado principal ignorava, e a r\u00e1dio segmentada, voltada ao p\u00fablico negro, tocava esse repert\u00f3rio. Foi essa engrenagem teimosa que formou o gosto de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As caracter\u00edsticas musicais do R&amp;B<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues se reconhece de ouvido, por tr\u00eas camadas objetivas: a r\u00edtmica, a instrumental e a vocal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Backbeat e compasso quatern\u00e1rio<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues se caracteriza pelo backbeat, a acentua\u00e7\u00e3o dos tempos 2 e 4 do compasso quatern\u00e1rio. Em vez de o peso cair no tempo 1, a caixa bate no contratempo forte e empurra o corpo. Some a isso a s\u00edncope e um andamento dan\u00e7ante, e o resultado \u00e9 o groove, o tra\u00e7o mais est\u00e1vel do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Instrumenta\u00e7\u00e3o, se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica e naipe de sopros<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma\u00e7\u00e3o t\u00edpica re\u00fane voz solo \u00e0 frente, guitarra el\u00e9trica, piano ou \u00f3rg\u00e3o el\u00e9trico, contrabaixo, bateria e naipe de sopros. A se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica sustenta o groove, com contrabaixo e bateria em bloco e o piano ou a guitarra no padr\u00e3o harm\u00f4nico. Os sopros d\u00e3o corpo: entram em un\u00edssono, respondem \u00e0 voz e criam os riffs, com o saxofone \u00e0 frente do naipe, ao lado dos metais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma observa\u00e7\u00e3o musical para quem estuda instrumento sinf\u00f4nico: o trombone, que integra os metais do rhythm and blues e d\u00e1 peso \u00e0 base do naipe, \u00e9 um dos instrumentos ensinados na SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A voz, o gospel e o call and response<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A voz do rhythm and blues vem da igreja: vocal expressivo, de proje\u00e7\u00e3o vocal alta, com melisma e liberdade para se afastar da melodia escrita, como no canto gospel e no spiritual negro. Dela vem o call and response entre solista e coro, ou entre voz e sopros. A forma-can\u00e7\u00e3o e a harmonia funcional v\u00eam do blues.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">R&amp;B, blues, soul e funk: as diferen\u00e7as que quase todo mundo confunde<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a d\u00favida mais comum de quem chega ao assunto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>G\u00eanero<\/th><th>Elemento r\u00edtmico dominante<\/th><th>Papel da voz<\/th><th>Fun\u00e7\u00e3o social<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Blues<\/td><td>Balan\u00e7o frequentemente tern\u00e1rio, forma\u00e7\u00e3o enxuta<\/td><td>Narrativa, pr\u00f3xima da fala<\/td><td>Express\u00e3o individual<\/td><\/tr><tr><td>Rhythm and blues<\/td><td>Compasso quatern\u00e1rio com backbeat, se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica completa<\/td><td>Expressiva, com sopros respondendo<\/td><td>Dan\u00e7a e sociabilidade urbana<\/td><\/tr><tr><td>Soul<\/td><td>Backbeat mantido, arranjo a servi\u00e7o do canto<\/td><td>Centro absoluto, melisma gospel<\/td><td>Afirma\u00e7\u00e3o e identidade<\/td><\/tr><tr><td>Funk<\/td><td>\u00canfase no tempo 1, baixo e guitarra percussivos<\/td><td>Voz como elemento r\u00edtmico<\/td><td>Dan\u00e7a cont\u00ednua<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo: o R&amp;B n\u00e3o \u00e9 blues acelerado nem soul com outro nome. O blues d\u00e1 forma e harmonia, o gospel d\u00e1 a voz, o jazz e o swing d\u00e3o o naipe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As fases do rhythm and blues<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rhythm and blues n\u00e3o \u00e9 bloco \u00fanico: ele se organiza por fases, n\u00e3o por datas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Combos e jump blues<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira fase \u00e9 a dos pequenos conjuntos que enxugaram as bandas de swing. O jump blues acelerou o blues, manteve os sopros e p\u00f4s o boogie-woogie no piano, em efetivo reduzido para clubes menores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O R&amp;B cl\u00e1ssico e a travessia para o p\u00fablico amplo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na fase cl\u00e1ssica o g\u00eanero se estabiliza: backbeat firme, sopros arranjados, voz de igreja aplicada ao cotidiano, ao trabalho, ao amor e ao desejo. \u00c9 quando o R&amp;B original passa a ser ouvido muito al\u00e9m do p\u00fablico a que o mercado o destinava.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Soul, funk e o r\u00f3tulo guarda-chuva<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do R&amp;B cl\u00e1ssico brota o soul, quando a carga gospel se torna expl\u00edcita e a voz assume o comando do arranjo, como se ouve em Aretha Franklin e Patti LaBelle. Depois o funk desloca o acento, o disco leva o groove para a pista e a etiqueta R&amp;B vira guarda-chuva de tudo isso. \u00c9 a fase de Barry White e Lionel Richie, que tratam a can\u00e7\u00e3o como cena, e do tr\u00e2nsito entre g\u00eaneros que Prince levou ao extremo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O R&amp;B contempor\u00e2neo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O R&amp;B contempor\u00e2neo mant\u00e9m o backbeat, mas troca parte da instrumenta\u00e7\u00e3o de banda por bateria programada, vocais em camadas e produ\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, em fus\u00e3o com disco, dance, pop e hip hop. Alicia Keys, Beyonc\u00e9, Bruno Mars e Rihanna circulam nesse territ\u00f3rio. \u00c9 o R&amp;B que o p\u00fablico jovem conhece primeiro, e \u00e9 leg\u00edtimo, desde que n\u00e3o se tome a parte pelo todo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A influ\u00eancia do rhythm and blues: o que o g\u00eanero fez nascer<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do rhythm and blues descendem o rock and roll, o soul, o doo-wop e o funk, e o parentesco \u00e9 aud\u00edvel na mesma se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica e no mesmo backbeat.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O rock and roll e o parentesco aud\u00edvel<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rock and roll compartilha com o rhythm and blues a forma\u00e7\u00e3o, o compasso, o backbeat e boa parte do fraseado. O que mudou primeiro n\u00e3o foi a m\u00fasica, e sim o p\u00fablico e o r\u00f3tulo comercial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Soul, funk, disco e a linhagem at\u00e9 o hip hop<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O soul aprofundou a voz, o funk reorganizou o acento, o disco levou o groove \u00e0 pista. Mais adiante, hip hop e pop absorveram o material sonoro e a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o dessa fam\u00edlia. Reconhecer o backbeat do R&amp;B em uma faixa recente \u00e9 exerc\u00edcio de escuta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O rhythm and blues no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o rhythm and blues foi reelaborado, n\u00e3o apenas importado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tim Maia e a chegada do soul<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tim Maia \u00e9 o principal vetor dessa chegada. Ele trouxe a vocalidade gospel, o naipe de sopros e o groove de se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica para a can\u00e7\u00e3o brasileira, sem abrir m\u00e3o da harmonia daqui. O resultado n\u00e3o \u00e9 c\u00f3pia: \u00e9 um soul brasileiro com sotaque. Outra ponta desse fio est\u00e1 em nosso texto sobre <a href=\"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/blues-mpb\/\">blues e MPB<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os bailes black e a forma\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O soul brasileiro n\u00e3o existiria sem os bailes black, encontros de dan\u00e7a que reuniam multid\u00f5es nas periferias das grandes cidades. Ali se formou a plateia que sustentou artistas e grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A heran\u00e7a hoje, de Sandra de S\u00e1 a Iza<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sandra de S\u00e1 e Jorge Ben Jor consolidaram o groove de matriz afro-americana na m\u00fasica negra brasileira, e Negra Li e Iza mostram a continuidade dessa linha na MPB contempor\u00e2nea e no rap mel\u00f3dico. Por isso estudar rhythm and blues no Brasil n\u00e3o \u00e9 assunto estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um guia de escuta: como ouvir o R&amp;B com ouvido formado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ouvir rhythm and blues com aten\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica muda a experi\u00eancia. Quatro pistas valem para qualquer fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comece pela bateria e localize o backbeat: conte quatro tempos e veja onde cai a caixa. Se o peso est\u00e1 no 2 e no 4, voc\u00ea est\u00e1 dentro do g\u00eanero. Depois isole o baixo e observe se ele anda com a bateria em bloco ou responde \u00e0 voz. Em seguida escute os sopros quando a voz pausa: \u00e9 a\u00ed que o naipe responde, e essa resposta \u00e9 o call and response transposto para os instrumentos. Por fim, note quando a voz alonga uma s\u00edlaba ou sobe de intensidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fase, elas rendem retratos distintos: boogie-woogie no jump blues, arranjo de sopros desenhado no R&amp;B cl\u00e1ssico, a voz acima de tudo no soul, o baixo no comando no funk, bateria programada no contempor\u00e2neo, sempre sobre o mesmo backbeat. \u00c9 o tipo de percep\u00e7\u00e3o r\u00edtmica que se aprende em aprecia\u00e7\u00e3o musical e em hist\u00f3ria da m\u00fasica popular.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudar m\u00fasica \u00e9 entender de onde ela vem: o trabalho da SABRA<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender por que um g\u00eanero soa como soa \u00e9 parte do que se aprende em uma forma\u00e7\u00e3o musical s\u00e9ria. A SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o musical gratuita sediada em Betim (MG), com mais de 2.000 alunos de 7 anos a 60+ e cerca de 13 anos de atua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de unidade em Contagem e m\u00f3dulo em Raposos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 do maestro M\u00e1rcio Miranda Pontes, formado pela UFMG, com 35 anos de Pal\u00e1cio das Artes, onde foi diretor de ensino, e passagem pela dire\u00e7\u00e3o do Festival de Inverno de Ouro Preto. Especialista em musicologia hist\u00f3rica brasileira, \u00e9 dele a assinatura deste texto. O projeto mant\u00e9m acervo de musicologia, coral infantil e orquestra jovem, e tem ex-alunos em orquestras brasileiras e em doutorado no exterior.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o musical gratuita. Todas as aulas, o material did\u00e1tico e as apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas s\u00e3o oferecidos sem qualquer custo, por obriga\u00e7\u00e3o contratual com o Minist\u00e9rio da Cultura e com os patrocinadores do projeto. O ingresso de novos alunos acontece por edital peri\u00f3dico nas unidades de Betim, Contagem e Raposos. As informa\u00e7\u00f5es sobre incentivo fiscal t\u00eam car\u00e1ter informativo e n\u00e3o substituem a orienta\u00e7\u00e3o de um contador.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma escola gratuita se sustenta porque algu\u00e9m a sustenta. A opera\u00e7\u00e3o depende de patroc\u00ednio cultural e de doa\u00e7\u00e3o incentivada, com presta\u00e7\u00e3o de contas p\u00fablica. Empresas que apuram pelo lucro real podem destinar parte do imposto devido a projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet, e h\u00e1 ainda a via do FIA, o Fundo da Inf\u00e2ncia e da Adolesc\u00eancia, em Betim e em Contagem. O contador da empresa verifica o regime de apura\u00e7\u00e3o e opera a destina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma hist\u00f3ria como a do rhythm and blues s\u00f3 chega at\u00e9 uma crian\u00e7a se algu\u00e9m tiver colocado um instrumento na m\u00e3o dela. \u00c9 o que a SABRA faz h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, de gra\u00e7a, em Betim, Contagem e Raposos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/doe-agora\/\">Conhe\u00e7a as formas de apoiar a SABRA<\/a> ou veja as <a href=\"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/acoes\/\">a\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que significa R&amp;B?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R&amp;B \u00e9 a sigla de rhythm and blues, g\u00eanero da m\u00fasica popular afro-americana surgido nos Estados Unidos em meados do s\u00e9culo XX. O termo designa uma est\u00e9tica musical, marcada pelo backbeat e pelo naipe de sopros, e tamb\u00e9m uma categoria comercial da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que o g\u00eanero se chama rhythm and blues?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque o nome substituiu, na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, uma designa\u00e7\u00e3o racista aplicada \u00e0 m\u00fasica feita por artistas negros. Classificado por ritmo em vez de ra\u00e7a, o repert\u00f3rio passou a circular fora do circuito segregado. \u00c9 o fato mais importante da hist\u00f3ria do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual a diferen\u00e7a entre R&amp;B e soul?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O soul \u00e9 um desdobramento do rhythm and blues, com carga gospel expl\u00edcita e a voz no centro do arranjo. O R&amp;B mant\u00e9m a voz em di\u00e1logo com a se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica e os sopros. Todo soul vem do R&amp;B, mas nem todo R&amp;B \u00e9 soul.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as principais caracter\u00edsticas do rhythm and blues?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compasso quatern\u00e1rio com backbeat, s\u00edncope, andamento dan\u00e7ante, se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica completa, naipe de sopros com destaque para o saxofone, guitarra el\u00e9trica e piano ou \u00f3rg\u00e3o. No canto, vocal projetado de matriz gospel, melisma e call and response.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O R&amp;B influenciou a m\u00fasica brasileira?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. Tim Maia \u00e9 o principal vetor dessa influ\u00eancia, que ganhou p\u00fablico nos bailes black e resultou no soul brasileiro. A heran\u00e7a permanece aud\u00edvel em Sandra de S\u00e1, Jorge Ben Jor, Negra Li e Iza.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O R&amp;B ainda existe hoje?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe, na forma do R&amp;B contempor\u00e2neo, que mant\u00e9m o backbeat e a vocalidade expressiva, mas incorpora bateria programada, vocais em camadas e produ\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, em fus\u00e3o com disco, dance, pop e hip hop.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Onde estudar m\u00fasica de gra\u00e7a em Betim, Contagem ou Raposos?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SABRA, Sociedade Art\u00edstica Brasileira, oferece educa\u00e7\u00e3o musical gratuita em Betim, Contagem e Raposos, para alunos de 7 anos a 60+, com musicaliza\u00e7\u00e3o, leitura de partitura, coral e instrumento sinf\u00f4nico. As aulas, o material e as apresenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam custo, por obriga\u00e7\u00e3o contratual. O ingresso acontece por edital peri\u00f3dico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O R&#038;B \u00e9 um g\u00eanero musical que surgiu nos Estados Unidos sob a influ\u00eancia de v\u00e1rios outros ritmos, passando por v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es at\u00e9 se tornar o ritmo que conhecemos hoje. A seguir, saiba tudo sobre esse g\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":5492,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_customify_content_layout":"","_customify_sidebar":"","_customify_page_header_display":"default","_customify_disable_header":"","_customify_disable_header_top":"","_customify_disable_header_main":"","_customify_disable_header_bottom":"","_customify_disable_page_title":"","_customify_disable_content_vertical_padding":"","_customify_disable_footer_top":"","_customify_disable_footer_main":"","_customify_disable_footer_bottom":"","_customify_breadcrumb_display":"","_customify_header_transparent_display":"","_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5491","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog-sabra"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p95j2Z-1qz","jetpack-related-posts":[{"id":13331,"url":"https:\/\/www.sabra.org.br\/site\/conheca-x-dos-melhores-guitarristas-do-mundo\/","url_meta":{"origin":5491,"position":0},"title":"Conhe\u00e7a x dos melhores guitarristas do mundo","author":"","date":"22 de agosto de 2025","format":false,"excerpt":"Em mar\u00e7o de 2011, os editores da revista Rolling Stones divulgaram uma lista dos 100 melhores guitarristas de todos os tempos. 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