Os instrumentos que utilizam a vibração das cordas para emitir sons acompanham a humanidade há milênios e têm um papel de destaque na história (e na atualidade) da música clássica. Por isso, no texto de hoje vamos contar um pouco mais da trajetória destes instrumentos musicais, suas características e funções.

Voltando no tempo

Quando pensamos em instrumentos de cordas, normalmente vem à cabeça o violão, o violino e talvez um cello. Mas todos esses são criações recentes, desenvolvidas no final do período medieval.

Os primeiros relatos históricos de instrumentos cujo som era emitido pela fricção ou toque de cordas tensionadas remete aos 30 a 15 mil anos a.C.: o arco musical. Ainda rudimentar, a peça era formada por um arco curvo, normalmente de madeira, com as duas extremidades ligadas por uma corda. Um exemplo muito semelhante e ainda popular nos dias de hoje é o berimbau.

E quando o assunto é cordas dedilhadas, o artefato mais antigo é de 26 mil anos a.C: as liras e as harpas. Estes instrumentos fizeram parte de diversas culturas antigas, sendo retratados na arte e pintura mesopotâmica, egípcia e grega.

Já o alaúde, também citado em referências de diversas civilizações desde o período antigo até o renascentista, é considerado o “pai” da viola que, por sua vez, é a “mãe” do violino. A Itália foi o berço do desenvolvimento de toda a família do violino – como ele próprio, a viola, o violoncelo e o contrabaixo, em meados do século XV e XVI.

Ainda no período barroco, a Europa viu florescer as orquestras e os concertos musicais. Mas foi no período clássico, a partir do século XVIII, que o violino, ou melhor, o primeiro-violino (também chamado de Spalla), tomou o lugar do cravo e tornou-se o regente das orquestras.

Afinal, quais são (e como se dividem) os instrumentos de corda?

Diversos instrumentos utilizam as cordas para emitir música e eles são divididos em três categorias: a família das cordas friccionadas, a das cordas dedilhadas e a das cordas percutidas.

Na primeira, o som resulta principalmente do atrito do arco com as cordas, a exemplo dos violinos, da viola, da rabeca, do armontino e do cello. Na segunda, é o dedilhar dos dedos ou das palhetas que extrai a música, como no violão, na guitarra, no alaúde, no baixo, no bandolim, no cavaquinho, na cítara, na harpa e no ukulelê. Por fim, na terceira categoria, o som é emitido quando as cordas são percutidas, como no piano, no cravo e no berimbau.

Além dessa classificação, há uma enorme diferença no tamanho dos instrumentos. Isso ocorre porque quanto maior, mais grave é o som que emite (e vice-versa). Por isso, como o violino é o menor instrumento da sua família, é também o que produz o som mais agudo, seguido da viola, do violoncelo e do contrabaixo.

Na orquestra, os violinos ainda são divididos em duas vozes, os primeiros e os segundos violinos, e localizam-se logo à esquerda do maestro. Já a viola fica à frente do regente, o cello à direita e o contrabaixo logo atrás do violoncelo.