A história da educação musical brasileira esbarra no próprio descobrimento do país. Pois, quando aportaram em nossas praias, os portugueses trouxeram consigo os jesuítas. Esses, por sua vez, utilizaram das práticas musicais europeias a fim de converter os índios.

Para tanto, as canções e hinos católicos eram traduzidos para o Tupi. Também era comum que fossem utilizados os Autos, monólogos acompanhados por música. Não podemos esquecer, no entanto, que com isso os catequizadores ignoravam a cultura já estabelecida entre os povos nativos.

O nosso período colonial manteve a educação musical atrelada à igreja católica. As exceções eram aulas particulares que tinham um objetivo mais profissionalizante. Terminado este período, o marco para o ensino da música no país foi o ano de 1854. Nesta época foi oficializada a presença da prática nas escolas públicas brasileiras. A lei promulgada então determinava que fossem lecionadas noções musicais e exercícios de canto.

Décadas de 1910 a 1930: Villa-Lobos e o Canto Orfeônico

No início do século XX, dois educadores de São Paulo reorganizaram o ensino já estabelecido na rede pública. Assim, João Gomes Júnior e Carlos Alberto Gomes Cardim começaram a promover o canto coral. Prática essa que foi impulsionada por outros fatores pertinentes ao período, como a popularização do Canto Orfeônico. A finalidade dessa atividade, originada na França do século XIX, era educar e disciplinar através do canto amador. Naqueles tempos diversos manuais didáticos de Canto Orfeônico foram publicados no Brasil.

Na década de 1930, retorna ao país uma das figuras mais importantes na história da educação musical brasileira: Heitor Villa-Lobos. Dez anos antes, o maestro e compositor havia passado uma temporada na França. Foi onde vislumbrou o potencial da música como instrumento educador e entrou em contato com as propostas de Zoltán Kodály. O educador húngaro propunha que além de utilizar o canto coral, devia-se priorizar material folclórico e popular da própria terra.

Dessa forma em 1932 o Canto Orfeônico tornou-se disciplina oficializada nas escolas públicas do Rio de Janeiro. E foi nesse mesmo ano que Villa-Lobos ficou à frente da direção da Superintendência da Educação Musical e Artística (Sema). A instituição tinha por objetivo justamente formar professores de Canto Orfeônico. Em função disso, o país presenciou um crescimento da prática nas décadas de 30 e 40.

Do século XX aos dias de hoje

Os métodos ativos de educação musical passaram a ser introduzidos em escolas especializadas a partir da década de 40. Essa forma específica de ensino da música vicejou especialmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Salvador. Já em 1961, foi promulgada a primeira Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB. A partir daí o Canto Orfeônico foi substituído nominalmente pela educação musical. Ainda que não houvesse diferença entre as aulas e metodologias administradas.

No ano de 1971, uma nova LDB foi promulgada, relegando à música papel secundário na disciplina de educação artística. Sendo essa uma matéria de natureza polivalente, exigia-se do docente o domínio de música, teatro, artes plásticas e desenho. Evidentemente esse panorama de expressões artísticas acabava não cabendo no curto espaço de tempo das formações escolares. Além disso, e em detrimento do ensino musical, o foco principal terminava por recair nas artes plásticas.

Com o tempo, o ensino da música terminou praticamente esquecido no país, mesmo com o advento de uma nova LDB em 1996. Na prática, a educação musical ausentou-se das escolas brasileiras por pelo menos 40 anos. Em 2008, um projeto de lei tentou inserir novamente o ensino da música nas